As Mulheres
Como tudo começou
Aqui ninguém tem cargo. Tem papel.
Foi no Natal, em plena pós-pandemia, que Patrícia Stanquevisch deixou saquinhos de bolinho de chuva nas portas dos vizinhos do seu prédio. Um gesto simples. Sem motivo. Só porque sim.
Os vizinhos retribuíram. Algo que estava trancado abriu.
Daí surgiu uma ideia maior: e se outras mulheres fizessem o mesmo, cada uma no seu canto do Brasil? Patrícia reuniu mulheres de diferentes cidades. Uma vez por mês, em datas escolhidas pelo coração, cada uma saía às ruas — praças, metrô, calçadas — e oferecia bolinhos de chuva para estranhos. De graça. Sem motivo. Só porque sim.
Do gesto nasceu o movimento. Do movimento nasceu o negócio.
E quando o negócio chegou, a gente precisou se organizar — mas do nosso jeito. Aqui não tem coordenadora de produção nem representante comercial. Tem Canelinha — porque canela é o ingrediente que transforma qualquer receita em algo especial — e tem Chuvinha — porque toda chuva começa pequena e molha tudo que encontra pelo caminho.
E tem mulher que é as três coisas. Porque aqui ninguém cabe numa caixinha só.
